segunda-feira, 28 de maio de 2012

Medos...


Eu não tenho medo da morte. Tenho medo mesmo é da velhice. Aquele tempo em que já não há mais tempo. Aquela época de aceitar as limitações, conviver com as dores e com a solidão.

Quando você, simplesmente, já não faz falta, quando vira um estorvo, quando tudo o que sobra são as lembranças do passado, quando ainda é possível lembrar.

É a fase onde já não dá mais para querer ser diferente, fazer diferente. É quando as pessoas começam a te olhar com pena e a oferecer o braço para te ajudarem a atravessar a rua.


Meu maior medo é de quando eu chegar nessa idade, perceber que nada mudou, que o meu lado na cama nunca fora ocupado e que a minha mão que não está segurando a bengala continua abanando ao vento como sempre esteve.

Na verdade, acho que não tenho medo da velhice. Tenho medo da solidão, na fase em que tudo o que se pode ter já fora conquistado, ou não.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Redes Sociais

Toda essa modernidade “emburreceu” as pessoas. Nada contra a tecnologia, mas o que é de fato subversivo é a agregação de falsos conceitos, o distanciamento entre o que é real e o que é aparência. Quando a essência é que deveria ser valorizada.
O que se vê é um “Curtir” que não dá direito à resposta. Uma maneira de encurtar o assunto e aumentar a barreira entre os seres humanos. Uma forma nada autêntica de pormenorizar expressões. Um declínio da inteligência em detrimento da comunicação, porque não há mais em quê se pensar, basta “copiar e colar”. E eu ainda tentando guardar números de telefones na minha memória e não na do celular. Não quero que o meu cérebro seja um náufrago nesse mar de coisas tolas, onde a mesma frase se aplica em qualquer circunstância como se já não houvesse mais nenhum outro termo a ser usado. É uma verdadeira ingestão de “tudo igual”, café com leite, arroz com feijão todos os dias.
Eu quero mais! Nunca soube me contentar com o que me dão. E estão me dando cada vez mais coisas das quais não preciso. Será que o mundo real é tão ruim assim ou será que as pessoas ainda não se deram conta do que está acontecendo? Não existe mais contato direto, não existe mais aproximação, o que resulta numa verdadeira ausência de afeto. Não se joga mais vôlei na rua nos fins de tarde, mas passa-se o dia inteiro manuseando tacos virtuais e jogos de cartas contra uma tela que cansa as vistas, faz doer as costas e aumentar a barriga.
Tudo é tão rápido, num ritmo tão frenético que quando olhamos pela janela o sol já se pôs e nem sabemos se ele apareceu ou não. Não se pode lutar contra isso. É impossível não se contaminar, nem que seja para não parecer deslocado. O que não me conformo é o fato de não existir mais diálogo construtivo. Bastam vários “K” para se dizer que achou graça, um “ownn” para se dizer que achou bonito e um “joínha” para qualquer coisa. Eu não sou contra as redes sociais, em hipótese alguma. Eu também “Curto e Compartilho” muitas coisas e até acho legal, em meio a tanto stress, poder dar boas gargalhadas com algumas fotos e vídeos engraçados. O problema é que a vida das pessoas tem se resumido a isso. Estão fazendo das redes sociais (atualmente “A” rede social) um diário pessoal onde as pessoas precisam nos informar até se tomaram banho ou não.
É... realmente, a tecnologia tem criado “artistas” da idiotice (para a nooooooosssssa tristeza) e o excesso de coisas tolas tem atropelado o pouco de coisa útil que ainda existe. Resultado: um mundo de coisas superficiais e um déficit cada vez maior das coisas que realmente importam. Mas, é claro, tudo isso é a minha opinião!  Se você concorda comigo, curte aí! rsrs

terça-feira, 8 de maio de 2012

Subitamente...


O resvalar do medo é mais amargo do que o fel
Quando o despertar na madrugada vem de assalto e febril
O suor brotando quase em jarros e o frio doendo os ossos
O total estranhamento de ser o que apenas se pode ser
E nada além de escuridão para acalmar o desvario

Uma olhada no relógio para me certificar de que ainda é noite

Porque o escuro pode ser apenas o que os meus olhos querem ver
Como se fosse o que há por dentro transcendendo os limites do corpo
Repouso novamente a cabeça no travesseiro, metade zonza, metade sóbria
E o cobertor torna-se pesado demais
Vai ver nem é o cobertor

E vai ver nem é o peso

O que sufoca é o denso ar nevado e frio

Enquanto o calor da pele queima mais do que a chama da vela

Espero que o sono volte

E ele volta triste, tumultuado e exaustivo

Justo na hora em que deveria ir embora

O medo é só uma das pernas dessa mesa bamba

Onde está a vela torta

Que por segurança, é melhor manter acesa

E por ser quase um pesadelo prefiro não me arriscar

Deixo a chama luzindo, um pontinho de luz para me localizar

Porque pode ser perigoso se, na hora do medo

Eu não conseguir me achar.
Alice Gomes, 08 de maio de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

E depois da festa?

Em breve seremos testemunhas de um grande evento mundial sediado em nosso país: a Copa do Mundo de Futebol. Estádios estão sendo construídos, reformados e reestruturados em tempo recorde, mas será que o Brasil está mesmo preparado para um evento dessa proporção?
Quando se fala em copa do mundo vem em mente uma série de jogos e partidas eliminatórias, grandes lances, grandes gols... Como bons brasileiros almejamos que a nossa seleção seja campeã, entretanto, ao analisar diversas condições, chego a conclusão de que talvez, apenas talvez, não estejamos preparados para isso.

Não desejo ser pessimista e realmente não sou, porém acho que não é só uma questão de termos jogadores bem treinados e estádios recén-inaugurados. E a estrutura das cidades que sediarão os jogos? terá espaço para acomodar tanta gente? E o transporte?
Tomando como exemplo a cidade de São Paulo, onde o trânsito já é caótico, alguém conseguirá deslocar-se de casa para ir ao estádio sem implorar a Deus pelo teletransporte? Eu, particularmente, acho que não. Não vai ser nada agradável ter um jogo da copa no bairro ao lado se não conseguirmos chegar até ele.
Sem falar dos hotéis, restaurantes, hospitais, etc.

Imagine uma grande festa. Gente de toda parte, com diferentes pensamentos e objetivos, diferentes maneiras de encarar as pessoas, opiniões diversas, estilos completamente opostos e filosofias de vida decididamente contraditórias, arbitrárias. Imagine que o salão é pequeno, os comes e bebes não são devidamente servidos, o calor tropical faz com que alguns estrangeiros passem mal e sejam pisoteados pelos outros convidados. Imagine que o dono da festa não tenha colocado lixeiras no salão ou que estão longe e não dê pra chegar até elas e todo o lixo é jogado no chão mesmo. Imagine a bagunça! E depois que acabar a festa quem vai ter de limpar o salão? O dono da festa, obviamente. A regra é clara!

Infelizmente, muito se investe em pompa, circunstância e aparência, quando deveria se investir em infraestrutura para que a copa de 2014 não deixe o nosso Brasil mais defasado do que já está.

Pronto, falei!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Ordem é se Libertar!!!!

Foi difícil cair a ficha que mais um ano está terminando. O que leva àquela velha expectativa de um novo ano que começa. É a hora em que fazemos planos, promessas... que na maioria das vezes não são cumpridas. Começamos o ano com mil idéias, cheios de esperança e tomados por um desejo imensurável de fazer as coisas darem certo, no entanto o tempo parece estar passando cada vez mais rápido que quando concluímos, isto é, se concluímos alguma das metas traçadas, já está na hora de montar a árvore e o presépio novamente. Aí não dá tempo para mais nada.
Eu não sei se o próximo ano vai ser assim tão diferente de todos os outros, tampouco tenho a pretensão de grandes conquistas. Não querendo ser pessimista mas de certa forma já sendo, eu não acredito que estouros de fogos de artifício, um monte de gente se abraçando e exibindo roupas novas compradas para a ocasião e a pagar no ano seguinte, sejam suficientes para garantir que o ano seja vitorioso. Por outro lado, essa época nos deixa mais motivados a pelo menos tentar fazer algo diferente.
Hoje acordei meio esquisita, assim como vem acontecendo de uns anos pra cá. Acordei cantando o refrão de uma música "socorro, não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar, nem pra rir...". Fiquei com isso na cabeça e uma sensação de amargo na boca. Uma saudade de coisas que vivi, sensações que não esqueci, mas me dei conta de que essa saudade era só uma lembrança boa, um passado morto e enterrado. Lembrei-me do quanto esse passado ainda estava presente na minha vida: cartas, presentes, lembrancinhas, fotos, cartões, músicas, e-mail's, torpedos, contatos na agenda do celular... como diria o rei, detalhes tão pequenos de nós dois... rsrs
Decidi, então, começar a limpar a casa, como citado no livro "Enquanto o Amor não Vem" da escritora Yanla Vanzant. Percebi que há anos estou vivendo uma fase de "meio-tempo". Esperando que um amor possa escolher meu coração para ao menos passar uma temporada. O fato é: como alguém pode querer ficar numa "casa" tão bagunçada? cheia de coisas velhas, sentimentos antigos, mágoas, tristezas e objetos sem nenhuma utilidade que ainda faziam tanta diferença...
Resolvi fazer a "grande faxina". Foi tudo pro lixo. Fotos, cartas, bilhetes... TUDO!
Não quero nada que me prenda ao passado, aliás um passado tão distante. Foi bem difícil me desfazer de algumas coisas que há anos eu pensava, até queria, jogar fora, mas acabava por guardar por acreditar que essa era uma forma de guardar um pouco do que eu havia perdido. Mas hoje não! Fiz o que já deveria ter feito há vários anos atrás.
Confesso que estou me sentindo meio estranha agora. A sensação é de ter enterrado um ente querido. Saber que nunca mais lerei tais palavras ou olharei para certas fotos. Estou exorcizando meus fantasmas, exercitando o desapego...
É um processo bastante doloroso, porém necessário.
Não podemos passar a vida nos lamentando por algo que já foi e não tem mais volta.
Livrei-me de todas as coisas materiais que me prendiam ao passado. E sei que com isso fica mais fácil esquecer... eu acho.
Quero minha casa limpa, minha mente arejada, meu coração aberto para novas possibilidades que podem acontecer ou não em 2012, mas caso não aconteçam sempre haverá um ano após o outro.
E como diz a música: Esse ano quero paz no meu coração!
Não sei se algo vai mudar significativamente fora de mim, mas posso assegurar que a grande faxina começa de dentro para fora. A ordem é se libertar!
Estou dando um "RESET" na minha vida, um "DEL" para as lembranças tristes, um "ESC" aos lugares que não me fazem bem e um "STAND BY" pro meu coração, até que chegue o momento certo de teclar um "ENTER" para a verdadeira felicidade  e isso vale para todos os setores da minha vida...
Provavelmente, esse é meu último post do ano. Se gostou, curta e compartilhe! rsrs


Um feliz Natal e que venha 2012.
Um beijo no coração de todos e até lá!!!!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ai que difícil!!!!

Mal começou e já começa a me subir um calorão... Tiro o casaco pra facilitar....
Ele me joga daqui pra lá, de lá pra cá e a coisa começa a fluir, mas quando começo a me alegrar ele pára...
Eu louca para que ele continue, daí ele volta a agir e à cada vez que me empolgo e penso: "Agora eu vou" ele pára de novo.
Já estou com as pernas bambas e sinto dor em algumas partes do corpo.
O pior é que têm várias pessoas passando na rua e ficam vendo tudo pela janela, através do vidro embaçado da nossa respiração, mas não embaçado o suficiente para nos encobrir... e ficam chocadas!
Também pudera! São tantos homens suados me apertando, me amassando... Acho que nunca viram tanto sobe-e-desce, tanto entra-e-sai...
Eu louca para que chegue logo o ponto final. E eles ali querendo a mesma coisa: Alcançarem o bendito ponto, chegarem lá!
Algumas mulheres também querem entrar na brincadeira de qualquer jeito, aí vira um entrelaçar de braços e pernas que eu já nem sei mais o que é meu e o que é delas e vamos nos consumindo naquele calor....
São tantos "ais" e "uis"... "Ai meu Deus!", "Ai, Socorro!", "Ui, desculpa!"
Aiiiii.... já não aguento mais!
Não vou resistir, não vou resistir, não vou resistir..................
Pára...Pára... Pára....
PÁRA A DROGA DESSE ÔNIBUS QUE EU QUERO DESCER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

KKKKKKKKKKKK....

Aposto que as mentes poluídas de plantão já pensaram besteira, né?
Se querem viver essa sensação, peguem o ônibus Itaim-Bibi linha 516N/10 no horário de pico que vão entender do que estou falando!!!!
rsrs

Beijinhos galera!!!!!

Até a próxima!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sexo Frágil??? Uma Ova!!!

ABAIXO A FRESCURA


Em meio a tantos afazeres e responsabilidades 
estive pensando no termo "sexo frágil" como designação atribuída à nós, mulheres. Nada soa tão falso aos meus ouvidos. Como classificar de frágil um ser capaz de fazer tantas coisas ao mesmo tempo? Não temos a força bruta que os indivíduos do sexo masculino possuem, porém temos uma energia psicológica relativamente maior do que a deles. E por assim dizer, força bruta é só uma questão de treino.

Para começar, Deus nos deu a capacidade de gerar e dar à luz a uma criança, às vezes mais de uma ao mesmo tempo. Quer agressão maior? Bom, ainda bem que isso é trabalho das mulheres senão nós não estaríamos aqui. O mundo teria acabado logo na primeira geração. Caim não teria matado Abel porque se Adão tivesse sobrevivido ao primeiro parto, certamente nunca mais ia querer saber de comer o fruto proibido da Eva. rsrs
Há alguns anos atrás ouvia-se dizer que "Amélia é que era mulher de verdade". Será? Aposto que não! A "Amélia" foi educada e por que não dizer, adestrada para ser capacho do marido. Absolutamente dependente dele pra tudo e obedecendo sempre às regras que ele ditava e, claro, sujeitando-se a surras e traições, porque uma coisa é certa: todo homem que tem uma Amélia em casa procura uma "Capitu" na rua. Isso não mudou muito nos dias de hoje. Mesmo que já não existam tantas Amélias, as Capitu's ainda permeiam o imaginário masculino. Isso é fato!
Com o passar dos anos a mulher foi se emancipando, tomando partido da própria vida e ditando as próprias regras. Assumiu papéis de destaque no mercado de trabalho, porém ganhando menos, mas enfim, conquistou a própria independência. E o que isso significa? jornada tripla de trabalho: Profissão, casa/filhos e marido quando o têm. Para mim, mulher de verdade é aquela que acorda cedo, leva os filhos pro colégio, sai pra trabalhar, passa o dia pensando se seus pequenos estão bem, volta pra casa e começa o segundo turno; entra em casa exausta e nem lembra de tirar os sapatos que estão estrangulando seus pobres dedinhos, pois precisa colocar a roupa suja na máquina de lavar e enquanto isso coloca a comida no fogo, dá banho nas crianças, serve o jantar, coloca-os pra dormir, lava a louça enquanto o maridão já chegou do trabalho, tomou banho, jantou e agora assiste televisão como se não existisse mais nada no mundo. Ou seja, para aquelas que não têm marido até essa parte não muda nada, já as casadas, depois de colocar as crianças na cama, se prepara para o terceiro turno; toma um bom banho ao mesmo tempo em que se depila para estar "apresentável" ao marido e aproveita a água do chuveiro pra lavar o banheiro. Quando sai do banho, mesmo morta de cansada e querendo cair na cama e apagar, ainda se preocupa em colocar uma linjerie atraente para o marido que, a esta altura, já está de pijama e deitado esperando sua linda e exausta esposa para uma estonteante noite de amor. No dia seguinte começa tudo de novo.
Aí, aparece alguém pra dizer que as mulheres são complicadas, que choram a toa. Também pudera! Se não pudéssemos chorar acho que explodiríamos. Só uma mulher de verdade é capaz de encontrar forças quando já não as tem. Afinal, quando choramos é como se um peso fosse aliviado dos nossos ombros.
Qual é o homem que aguenta uma depilação com cera quente? Qual o homem que conseguiria trabalhar com uma maldita cólica mesntrual? Quem é mesmo o sexo frágil?
Atenção vocês do sexo masculino:
*uma mulher de verdade não precisa de um homem pra pagar as contas, nem pra consertar o encanamento, para isso existe mão de obra qualificada. Ela precisa mesmo é de amor e carinho. E mais do que fazer amor, ela quer dormir abraçada depois.
Mais do que alguém pra carregar as sacolas, ela quer alguém que segure a mão que tiver vazia.
Esse post é para falar de mulheres fortes, determinadas. Aquelas que fazem mais com menos; aquelas que mesmo com medo, matam suas próprias baratas, abrem seus próprios potes de conserva, pintam suas próprias paredes, trocam o próprio botijão de gas, carregam a própria bagagem, penduram seus quadros na parede sem precisar de ajuda masculina para usar a furadeira. Aquelas que, quando vão pra cozinha sabem preparar algo além de miojo com salsicha e pipoca de microondas e, no entanto, guardam o telefone da pizzaria para os finais de semana; aquelas que sabem lavar, passar, cozinhar e fazer amor, mas que acima de tudo são donas de si mesmas; aquelas que não levam desaforos pra casa e ainda assim são doces, carinhosas e sensíveis; aquelas que não ficam emburradas porque o marido foi jogar futebol com os amigos; aquelas que passam noites em claro cuidando do filho doente e após meia hora de sono, levantam da cama, se trocam, colocam um salto alto e vão trabalhar, sem esquecer jamais do batom e do blush para disfarçar a cara mal dormida...
Agora, aquelas que não saem de casa com um sapato que não combine com a bolsa; que sobem na cadeira quando vêem uma barata; que não lavam a louça para não estragar a unha, não dão de mamar para que os seios não fiquem flácidos, sinto muito, mas esse texto não é para vocês que são do "sexo fresco".
Esta é uma forma de homenagear a todas as mulheres fortes que conheço. Que carregam faixas pelo movimento "Abaixo a frescura" porque de frágil aqui, só a capacidade masculina de nos compreender!...

Beijinhos...

domingo, 16 de outubro de 2011

Era uma vez...

O dia era 17 de junho de 1984, no interior do interior das Minas Gerais, nasceu uma menina. Filha de um casal normal para os padrões da época e do local onde nascera. Uma família enorme que morava na roça. Era uma menina esperta, inteligente, adorava livros, aprendeu a ler aos 5 anos de idade sem nunca ter ido a escola, cheia de sonhos...
Apaixonou-se pela televisão no primeiro instante em que viu uma telinha em preto e branco de formato arredondado. Desde então, seu maior sonho era ser atriz de novelas, mas sabia que aquele sonho era distante demais para uma menina pobre, feia e que vivia no meio do nada...
Mesmo sendo uma garotinha esperta sentia-se sempre rejeitada, o patinho feio, era terrivelmente infeliz. Escondia-se no meio do mato para chorar sem nenhum motivo aparente, nem ela entendia o porquê de tanto sofrimento aos 8, 9 anos de idade. Chorava até soluçar, até os olhos ficarem vermelhos, inchados e ardendo. Ela ficava imaginando alguma tragédia com os pais, um suicídio, um assassinato e sofria por antecipação. Cenas demasiadamente fortes que povoavam uma mente que, pela lógica, deveria ser livre de tais pensamentos.
O tempo foi passando e aquela menina sentia-se cada vez mais distante daquela realidade. Pensava que era adotada, desejava a morte com todas as forças do seu coração, trancava-se dentro de si e o tempo por si só a forçava a acordar todos os dias... Sempre um dia a mais ou um dia a menos, não fazia diferença.
Aos doze anos ela ficou órfã de pai. Assim, repentinamente e uma parte da sua realidade se desfez abruptamente. Não bastasse isso, aos treze anos ficou também órfã de mãe. Aí sim, todo aquele medo que sentia quando criança era justificado.
ela se sentia só, abandonada, esquecida por Deus numa idade tão difícil. Foi forçada a mudar de cidade, a largar todo aquele pequeno Universo ao qual, bem ou mal, era tudo o que ela conhecia e já estava acostumada. Viu-se forçada a se afastar dos poucos amigos que tinha, do primeiro amor, da escola que tanto amava... Era hora de começar tudo de novo. Cidade nova, casa nova, escola nova, novas obrigações e nenhum amigo pra começar. O que tornava tudo ainda mais difícil já que nunca fora popular. Sofreu o que hoje pode se chamar de bulling, foi rejeitada por suas origens, sua ingenuidade, seu sotaque, até por sua "mania" de ser uma excelente aluna em todas as matérias. Mas um dia ela resolveu mudar. Passou a se interessar cada vez menos pelos estudos, começou a cabular aulas, a falar besteiras, a beber, a fumar, a brigar na rua, a não levar desaforo pra casa. Contudo, aprendeu a sorrir... a ser divertida, irônica às vezes, descobriu que ficar de cara amarrada só afastava as pessoas e que ser boazinha era uma coisa absolutamente "do mal". Por mais que se sentisse infeliz, estava sempre com um sorriso no rosto e uma piada na ponta da língua.
À esta altura já não tinha nem metade dos sonhos que tinha antes. Ela não era mais a menina que queria ser aceita, aliás, ela estava pouco se lixando pra isso.
Apaixonou-se algumas vezes, sempre pelos garotos errados e sofreu em todas as vezes.
Muitos anos se passaram, muitas coisas aconteceram e a menina virou mulher, tornou-se mãe, melhorou um pouco, superou alguns obstáculos, estabacou-se em outros, mas levantou-se e continuou andando. Sem sonhos, sem expectativas, com a certeza que nasceu pra ser toda errada e absolutamente só. Acreditando que um verdadeiro amor é privilégio pra poucos e ela, definitivamente, não está incluída nesse grupo.
Depois de tantas histórias interminadas, interrompidas, ela ainda se pergunta: Quando é mesmo que o patinho feio vira cisne? Ainda falta muito para o "e foram felizes para sempre"?

domingo, 18 de setembro de 2011

A preguiça empobrece e o trabalho enobrece!!!!

Eu voltei!!!! Não sei se isso é bom ou ruim, mas aqui estou com meus textos novamente à ativa. O motivo de tamanha demora foi indiscutivelmente, falta de tempo. A jornada de trabalho tem sido extenuante. Não, isso não é uma reclamação! Agradeço a Deus todos os dias por não estar fazendo parte das estatísticas de desemprego no Brasil.
Como eu disse anteriormente tem sido cansativo, porém gratificante.  Sair de casa todos os dias bem cedo, pegar um ônibus lotado que mal dá pra mexer as sobrancelhas por pelo menos, uma hora e ao descer, andar, ou melhor, correr mais uns dez minutos para conseguir chegar no horário e ainda assim, dar graças a Deus por ter um trabalho.
Além do salário a receber no final de um mês inteiro de labuta, é muito bom sentir-se útil, indispensável e ter o reconhecimento dos superiores. Um simples elogio ou agradecimento vale uma semana inteira de muito esforço. Compensa a correria, o cansaço, a falta de tempo para estar com os amigos (ps.: amigo de verdade sente falta da nossa companhia, mas não se afasta porque conhece as nossas necessidades) e compensa também a falta de tempo para escrever bobagens num blog.
Não há nada melhor do que poder encher a boca pra dizer: estou trabalhando. É incrivelmente maravilhoso poder fazer planos para o futuro, sabendo que eles serão concretizados, a menos que Deus não queira. Seja comprar um sapato novo, fazer um curso, planejar uma viagem com os amigos no feriado, enfim, não dá para descrever a sensação de liberdade e independência. Saber que quando as contas chegarem, porque elas vão chegar, terei recursos para pagá-las sem arrancar metade dos cabelos.
Sempre me considerei uma guerreira que não foge da batalha, seja ela qual for e, sinceramente, não consigo compreender como algumas pessoas se acomodam na vida, principalmente quando se trata de trabalho. Eu, particularmente, me acomodei em certos aspectos da minha vida, como sair para baladas, continuar com a música, continuar fazendo teatro, arranjar um namorado, enfim... coisas que de certa forma não fazem tanta falta e não interferem na maneira como as pessoas me olham. Não que isso importe, pois nunca dei muita bola para o que pensam de mim, mas a opinião das pessoas que eu amo, importa sim.
Aprendi desde criança que é preciso trabalhar para se conseguir algo na vida. Nada cai do céu, nada vem de graça e o que vem fácil, vai mais fácil ainda, além de não trazer a prazerosa sensação de satisfação pessoal, orgulho próprio e auto-estima. Acredito piamente que tudo o que lutamos para conquistar tem um gosto todo especial.
É uma pena que nem todo mundo compartilhe dessa minha opinião, porque o que faz uma pessoa diferente da outra é justamente a forma de encarar a vida. Isso é tão óbvio!
Ninguém em sã consciência vai querer estar ao lado de alguém que precisa ser arrastado, içado ou empurrado o tempo todo, seja um parente, um amigo(a), um companheiro(a). É preciso que cada um ande com as próprias pernas (não necessariamente no sentido literal). É imprescindível que cada ser humano, homem ou mulher, seja capaz de administrar a própria vida sozinho, para não ceder a terceiros o direito de fazerem julgamentos, apontarem o dedo e, se por hipocrisia o fizerem, poder estufar o peito e dizer em alto e bom som: “EU PAGO MINHAS CONTAS! A VIDA É MINHA E NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO!”.
Eu me orgulho de tudo o que tenho até hoje. Sei que é quase nada, mas também sei o quanto me esforcei para conseguir. E ainda continuo me esforçando, pois sei que ainda tenho muito a conquistar. De forma honesta, justa e com a certeza de que mais importante do que bens materiais, o trabalho traz dignidade e disso eu não abro mão.
E pra finalizar... UMA ÓTIMA SEMANA DE TRABALHO A TODOS!!!!!

Beijos carinhosos e até a próxima!!!!!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Solidariedade nunca é demais...

Olá pessoal, andei meio sumida do blog porque nos últimos dias não tive muita vontade de escrever. Sou assim mesmo: Tenho um profundo respeito pelas minhas próprias vontades e não costumo fazer nada que eu realmente não queira. Mas hoje já acordei com vontade de escrever e aqui estou eu. Espero que vocês tenham paciência para ler e mais do que isso, que possam refletir a respeito, já que o tema dessa postagem tem mais a ver com reflexão que leva à atitude do que com entretenimento e distração. Tampouco quero falar de mim, mesmo porque o que vou dizer deve ser visto de forma coletiva e não individual.
Estou falando de solidariedade, generosidade e amor ao próximo. Explico: Quem aí, nesse exato momento, está com as mãos e pés gelados, praguejando contra o frio e tomando (ou desejando) um café, um chá ou um chocolate quente? As temperaturas nesse inverno não só prometem ser, como já estão sendo rigorosas literalmente, polares. Sair da cama pela manhã tem sido um martírio. O desejo de não sair do emaranhado e cobertores e edredons é, por assim dizer, quase incontrolável.
Andamos parecendo “cebolas”, cheios de camadas e mais camadas de roupas que ainda não parecem ser suficientes. Eu pergunto: E aquelas pessoas que não têm casa, não têm cobertores e dormem ao relento? Como elas se sentem numa situação como a da madrugada de ontem, que foi a mais fria dos últimos tempos, com os termômetros na casa de 0ºC em algumas regiões?
E nós, o que fazemos ou podemos fazer a respeito? Muitos vão dizer que não é possível se fazer muita coisa, mas eu digo que é possível sim! Não estou falando em uma ou duas pessoas salvarem a humanidade, mesmo porque nenhum mortal tem super poderes para tal, mas estou falando de todos nós. E não é preciso organizar um mutirão para sair às ruas distribuindo cobertores, agasalhos e alimentos, embora tenha muita gente capaz de fazer isso, a grande maioria não abriria mão do conforto e aconchego dos seus lares para ajudar os necessitados ou por algum motivo de força maior não pode fazer esse tipo de coisa, infelizmente. O que quero dizer exatamente, é que não precisa muito para sermos solidários. Gostaria de propor uma coisa: Hoje, quando você estiver em casa, caso não esteja agora, abra todas as portas do seu guarda roupas. Eu disse todas de uma vez e não faça nada por alguns minutos, apenas olhe atentamente para a quantidade de roupas que você tem.
Conheço pessoas que possuem um armário com “N” portas, que ocupa o quarto inteiro entupido de roupas, enquanto 5% delas são utilizadas, o restante só serve para ocupar espaço e juntar mofo. O pior de tudo isso é que mesmo essas peças emboloradas ou com cheiro de naftalina poderiam salvar vidas. E o que estamos fazendo com esse tipo de atitude? Negligenciando um socorro que seria de grande valia para os mais necessitados.
Voltando ao seu armário, examine as peças uma a uma e tente se lembrar de quando foi a última vez que você a utilizou. Se não conseguir se lembrar ou se isso ocorreu a mais de 6 meses, doe essa peça pois dificilmente você voltará a usá-la. Seja porque saiu de moda ou porque está desbotada, ou faltando um botão, ou porque você engordou ou emagreceu, enfim, as possibilidades são tantas... Abra espaço para novos ares circularem não só no seu armário, mas no seu coração. Não existe nada mais gratificante do que ajudar alguém. Lembro que minha mãe sempre dizia: Faça o bem sem olhar a quem. É isso que estou propondo. Não importa se a pessoa que você ajudar, não lhe diga ao menos obrigado, não importa se é um usuário de drogas, um alcoólatra, um homossexual, uma garota de programa, se torce para o time contrário ao seu, se é cego, surdo ou mudo, negro, branco, amarelo ou rosa choque, não importa! Aos olhos de Deus somos todos iguais e, sem dúvidas, sempre podemos fazer a diferença.
É triste saber que pessoas estão morrendo de frio. Isso não é uma causa de morte “aceitável”, pelo menos pra mim. Uma coisa é morrer de velhice, bala perdida, atropelamento, doença incurável, mas morrer de hipotermia num país tropical, abençoado por Deus, bonito por natureza e com tanta gente que pode ajudar é, no mínimo, perturbador. E quando penso nas crianças que estão nesta situação de total abandono parece-me ainda mais desconcertante.
Não tenho a pretensão de me passar por nenhuma Madre Teresa, nem de conquistar o reino dos céus, muito menos dar uma de boa samaritana ou ser beatificada, estou bem longe disso, mas se há algo que possamos fazer pelo próximo, então façamos agora! Antes que o noticiário da TV anuncie mais uma morte que poderia ter sido evitada.
Solidariedade NUNCA é demais...
Pense nisso! E se esse texto lhe tocou o coração de alguma forma, ajude-me a divulgá-lo. Quanto mais pessoas refletirem sobre esse assunto, maiores serão as chances de algo ser feito concretamente.
Um abraço acalorado e um beijo no coração de todos!
E não se esqueça: JESUS TE AMA!